A eficiência energética de cada tipo de transporte

O site Gas2.0 publicou um infográfico interessante alguns dias atrás. Qual a eficiência energética de cada tipo de transporte. O setor é fundamental na luta contra a mudança climática: usa 22% da energia consumida na Terra, mas responde por 27% das emissões de gases-estufa.

Cerca de 96% do transporte é abastecido com combustíveis fósseis (leia-se petróleo). 75% da movimentação é feita por veículos automotivos – 66% das viagens são para transporte de passageiros e 34% é para transporte de cargas. Isso significa que 25% das viagens automotivas é usada para transportar carga – outro absurdo.

Mas a conclusão mais impactante do estudo se refere aos meios de transporte: andar de bicicleta é 27 vezes mais eficiente do quer andar de carro. Até gastar sola de sapato se prova mais inteligente: andar a pé é 20 vezes melhor em termos de consumo de energia do que ligar o motor  do carro. Confira mais dados no infográfico abaixo.

 

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Como tornar os aeroportos mais sustentáveis

Copa do Mundo e Olimpíadas à vista, é hora de discutir um assunto relevante: a sustentabilidade do transporte aéreo e dos aeroportos. O blog de meio ambiente do New York Times tem um post sobre o tema. Neste domingo, o jornal publicou uma reportagem sobre o novo terminal de passageiros do aeroporto de San Francisco.

A administração do aeroporto quer receber a certificação LEED Gold e caso a resposta seja afirmativa, o terminal será o primeiro a receber esse nível de certificação sustentável. As companhias aéreas Virgin e American Airlines dividem espaço no terminal da cidade californiana.

Já a Virgin quer receber a certificação LEED Platinum para o espaço usado por seus funcionários. Madeira certificada, lâmpadas com eficiência energética, paredes pintadas com tintas menos poluentes são os trunfos da companhia britânica para ter a especificação LEED.

Todas essas iniciativas são uma maneira de tratar passageiros e funcionários como gente em vez de empurrá-los como gado para dentro do avião, tripudia o blogueiro do NY Times. Gracejo à parte, passou da hora de tratar essa questão com firmeza.

O transporte aéreo tem as maiores emissões per capitas de CO2. Já que ainda não temos como diminuir essas emissões – apesar dos esforços em usar biocombustíveis em aviões – precisamos pensar em aeroportos mais sustentáveis.

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Vinhaça é usada para degradar poluentes da indústria têxtil

Quinto maior produtor têxtil do mundo, só em 2010 o Brasil produziu 9,8 bilhões de peças de confecção.  Ano passado, o setor faturou R$ 52 bilhões, sendo responsável por cerca de 3,5% do PIB brasileiro, segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias Têxteis (ABIT).

O laboratório de Ecologia Aplicada do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP em Piracicaba,  desenvolveu uma tecnologia para tratar poluentes da indústria têxtil usando enzimas da vinhaça. A substância é um dos resíduos da produção de álcool de cana-de-açúcar.

Para tratar os efluentes têxteis, é feita uma  reciclagem de materiais orgânicos contidos na vinhaça. Depois de transformados em enzimas, esses materiais eliminam diversas substâncias poluentes da produção de tecidos e roupas. As enzimas são um tipo especial de proteína que aceleram as reações químicas e são biodegradáveis, fazendo o tratamento ser limpo e ambientalmente correto.

Subproduto da produção de álcool de cana-de-açúcar, a vinhaça pode ser usada para degradar o corante índigo (o mais utilizado na indústria têxtil). Outra vantagem é que esse procedimento resulta no clareamento e na diminuição do odor do processo. “Nosso principal objetivo é um tratamento alternativo para a vinhaça, tornando-a água de reuso”, diz a professora Regina Teresa Rosim Monteiro, orientadora do estudo.

Segundo a professora, sistemas de tratamento de efluentes mal desenvolvidos, trazem sérios riscos à saúde humana e ao ambiente. “No laboratório de Ecologia Aplicada do Cena, trabalhamos em busca de processo de degradação da matéria orgânica, como a despoluição da água, por meio de processos biológicos”.

Com informações da Agência USP de Notícias*

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O mundo não combate as mudanças climáticas: apenas se adapta a elas

Chris Berg, ambientalista australiano, tem uma visão parecida com a minha sobre as mudanças climáticas. Para ele, as mudanças climáticas devem ser enfrentadas como um problema sócio-econômico. É a idéia por trás do artigo publicado no jornal Sydney Morning Herald. Segundo Berg, Julia Gillard, primeira ministra australiana, está parcialmente correta quando fala das ações sobre mudanças climáticas. Mas são ações de mitigação e não de combate às alterações no clima da Terra.

Nos anos 1920, morriam cerca de 240 pessoas por milhão devido à eventos climáticos extremos, como secas, chuvas, deslizamentos, terremotos e afins. De acordo com o International Disaster Database, esse índice caiu para três pessoas por milhão na última década. Uma redução de 99,9% no risco de morrer de seca e de 89% no risco de morrer inundado, ainda segundo o IDD.

O que aconteceu? Estamos sobrevivendo e gerenciando melhor esses eventos extremos. Melhores condições de transporte e comunicação levam comida a lugares distantes com mais velocidade. A agricultura suporta melhor essas tragédias e também lida melhor com más colheitas. Nunca antes na história humana (para usar a clássica expressão do Lula), estivemos tão protegidos contra desastres naturais. Sistemas de controle e prevenção de enchentes, metereologia e sistemas de emergência ajudam a lidar com inundações.

Se há uma lição deixada pelo passado é a capacidade humana de adaptação, diz Berg. Principalmente quando não vemos muita chance de redução de emissões num futuro de curto/médio prazo. Apesar de todo carnaval feito em cima da precificação do carbono, as medidas tem surtido pouco efeito. É triste ser obrigado a concordar com o articulista australiano.

Na Europa, o cenário é um pouco melhor que na Austrália e EUA, mas se a energia nuclear for posta de lado depois de Fukushima, haverá aumento de emissões. Como disse George Monbiot – haja repercussão, hein? – com o desligamento das usinas nucleares, os governos vão se voltar para os combustíveis fósseis.

A China tem aumentado suas emissões a uma taxa de 12% ao ano desde 2001. Nesse ritmo, em 2020 a China terá emissões 500% acima dos níveis de 1990 (ano-base para contabilização de emissão de gases-estufa). A despeito dos esforços chineses em publicar dados e reduzir as emissões.

Richard Tol, um dos líderes do estudo do IPCC ganhador do Nobel da Paz em 2007, lembra um ponto importante. Muitos estudos sobre o impacto econômico das mudanças climáticas não leva em conta ações de adaptação. É o mesmo erro dos comunistas ferrenhos ao esquecer o aumento de renda proporcionado pelo capitalismo e que mata o potencial revolucionário dos trabalhadores.

Muitos estudos esquecem alguns efeitos colaterais positivos das mudanças climáticas. Terras hoje improdutivas (como a tundra russa) estarão disponíveis para a agricultura – assim como terras efetivas nos trópicos deixarão de ser usadas. Ao revisar os estudos, Tol estima que as mudanças climáticas vão ceifar uma pequena parcela do PIB mundial nos próximos 90 anos. O equivalente a um ano de crescimento econômico.  Para efeito de comparação, o PIB anual do mundo é de US$ 60 trilhões.

Com esse cenário, o preço da tonelada de carbono deverá ficar em torno de US$ 2, segundo a estimativa de Tol. Valor muito abaixo dos US$ 26 a US$ 40 estimado atualmente pelos governos. Uma taxa de US$ 2 não fará do cap and trade a salvação da lavoura como tem sido advogado nos últimos tempos.

O maior impacto das mudanças climáticas, claro, será no Terceiro Mundo. Não apenas pela posição na geografia mundial, mas por serem pobres. Uma prova disso é quando comparamos o terremoto no Haiti com o tsunami em Fukushima. A devastação haitiana foi 60 mil vezes maior: terremoto 100 vezes mais fraco, mas com 600 vezes mais mortes.

Concordo com a tese de Berg. As mudanças climáticas são um problema de desenvolvimento econômico. Está na hora de ajudar os países da África e do Sudeste Asiático a se desenvolverem mais rápido.

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A energia nuclear não vai combater as mudanças climáticas

Numa iniciativa muito democrática, o jornal britânico The Guardian resolveu debater a questão nuclear de forma séria. Convidou o empreendedor verde Jeremy Leggett para responder ao artigo  de George Monbiot, articulista do jornal londrino, publicado ontem. Traduzi para vocês.

George Monbiot resolveu defender a energia nuclear pela falta de outras alternativas mais seguras de geração de energia. Monbiot diz estar seduzido por este novo amor pelo imperativo da luta contra as mudanças climáticas e pela incapacidade dos governos em criar fontes de energias renováveis de modo economicamente viável.

Sobre o imperativo climático eu concordo. Sobre as outras alegações, discordo veementemente.  Falo isso por ter fundado uma empresa de geração de energia renovável por temer as mudanças climáticas e a dependência das fontes convencionais de energia. Desde então, as energias renováveis são um dos ramos industriais de crescimento mais acelerado.  Em 2008 e 2009 a quantidade de energia que entrou em funcionamento superou os combustíveis fósseis e usinas nucleares somados,  na América do Norte e na Europa. Só na Europa, em 2009, as energias eólica e solar foram responsáveis por mais da metade de fontes novas de energia.

“Energia é como remédio”, argumentou Monbiot, “se não há efeitos colaterais, sinal que o remédio não fez efeito.” Se ele visitasse as fontes de energia renováveis, descobriria o oposto. Governo e empresas alemães colocaram em funcionamento várias fontes experimentais de energia, provando que a economia do século XXI pode ser abastecida por fontes renovéveis. Um modelo americano provou o mesmo para uma escala global. Basta mobilização e imaginação para fazer funcionar um “vale do Silício da enegia verde”.

Hoje em dia, já somos capazes de prover energia renovével de modo bem mais barato do que as usinas nucleares. Conforme crescemos, nossos custos caem. Não precisamos gastar somas imensas (e não reveladas) para transporte e acondicionamento de resíduos, segurança ou indenizações por acidentes.

Mas assim como os combatentes britânicos da II Guerra, precisamos de uma mobilização rápida, em conjunto com a indústria de inovação da eficiência energética. E aqui temos a razão pela qual Monbiot contradiz seu pressuposto de lutar contra a mudança climática. A indústria nuclear não quer o desenvolvimento de tecnologias de energias renováveis. Eles lutam, aliás, para matar nossas chances.

Executivos das empresas de energia nucleares admitem que as energias renováveis diminuem o espaço das usinas nucleares. Apenas uma pequena contribuição dessas fontes pode ser tolerada se os governos querem mesmo um “renascimento nuclear”.

“Ainda odeio os mentirosos que comandam a indústria nuclear”, diz Monbiot. Mas ele confessa que Fukushima o fez amar as usinas nucleares. Ele está apaixonado com a falsa impressão de que elas são necessárias, que elas são economicamente viáveis e que conseguirão lidar com seus resíduos, falta de transparência e falhas de segurança.

Ainda há os riscos de segurança, saúde e danos psicológicos. “O impacto na população atingida pelo desastre foi pequeno”, argumenta Monbiot. Olha, eu adoraria vê-lo dizer isso numa sala cheia de gente atingida pela radiação da usina em Fukushima. Ou estampar numa camisa e ir lá segurar uma mangueira e apagar no fogo nas instalações da usina.

PS – à primeira vista o artigo de Leggett parece bom. Mas soa um tanto apelativo, mais ainda no último parágrafo. Não podemos esquecer de um detalhe: como empresário de energias renováveis, ele é parte implicada no debate. No entanto, vale pela discussão.

PS2 – O debate é a prova de como o jornalismo anglo-saxão é muito superior. Só na Inglaterra um jornal abre espaço para alguém espinafrar um dos colunistas mais importantes do Guardian.

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George Monbiot: Fukushima me fez defender a energia nuclear

Você não se surpreenderá ao ouvir que os acontecimentos no Japão me fizeram mudar de opinião sobre a energia nuclear. Mas vai se surpreender com a direção da mudança. Como resultado do desastre em Fukushima, abandonei a neutralidade quanto à energia nuclear, e agora apoio seu uso.

Uma usina velha, dotada de recursos de segurança insuficientes foi atingida por um monstruoso terremoto. As redes de energia falharam, derrubando o sistema de refrigeração. Os reatores explodiram. O desastre expôs um legado conhecido, de projetos deficientes e o uso de gambiarras para reduzir custos. Mas, pelo menos até onde sabemos, ninguém recebeu uma dose letal de radiação.

Não estou propondo que sejamos complacentes. Mas é preciso perspectiva. Como a maioria dos ecologistas, defendo uma grande expansão no uso de fontes de energia renováveis. Também simpatizo com as queixas dos oponentes disso. Não são apenas as instalações de energia eólica próximas à costa que incomodam, mas as novas conexões de rede elétrica (fios, postes). Os impactos e custos das fontes renováveis crescem em proporção ao volume de energia que elas fornecem.

Sempre defendi o uso de fontes de energia renovável como substitutas do combustível fóssil. Deveríamos exigir que elas também substituíssem a atual capacidade de geração nuclear? Quanto mais esperarmos das fontes renováveis de energia, mais difícil será a tarefa de persuadir o público. Mas a fonte de energia a que a maioria das economias recorreriam caso fechassem suas usinas nucleares não é madeira, água, vento ou luz solar, e sim o combustível fóssil. O carvão é 100 vezes pior que a energia nuclear.

Sim, continuo a desprezar os mentirosos que comandam a indústria da energia nuclear. Sim, eu preferiria que o setor fosse fechado, caso existissem alternativas. Mas não há solução ideal. Qualquer tecnologia de energia tem seu custo, e a ausência dessas tecnologias também teria. A energia nuclear foi submetida a um dos mais severos testes possíveis, e o impacto sobre o planeta foi pequeno. A crise em Fukushima fez de mim um defensor da energia nuclear.

O artigo original está no blog de George Monbiot

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Desastre em Fukushima pode impulsionar energia eólica no Japão

É sempre possível extrair algo de bom em qualquer situação, diz a sabedoria oriental. Os olhos do mundo estão voltados para a cidade de Fukushima, apreensivos com o desfecho na usina nuclear da cidade localizada na costa nordeste do Japão. 180 técnicos trabalham de modo heróico para deter o aquecimento nos seis reatores.

Ao mesmo tempo em que lamentamos essa situação, algo muito positivo acontece no Japão, conforme Kelly Rigg, diretora-executiva da Campanha Global para Ação Climática (GCCA, na sigla em inglês), conta nesse post: as usinas e a indústria eólica japonesa continuam funcionando apesar da opinião daqueles que acham que ela não resistiria a um tsunami.

Segundo Yoshinori Ueda, líder do Comitê Internacional da Indústria Eólica Japonesa, não houve danos nas turbinas localizadas no Japão, apesar da força do maremoto e do tsunami do dia 12 de março. Mesmo as turbinas de Kamisu, localizadas a 30 km do epicentro do maremoto resistiram de modo adequado. Prova da eficiência do sistema anti-terremoto dessas fazendas de energia eólica.

Com isso, ainda de acordo com Ueda, as empresas do setor elétrico japonês pediram a essas usinas eólicas para acelerar sua produção de modo a ajudar no abastecimento de energia elétrica. Alguns números:

A Eurus Energy Japan tem 174.9 MW (64% da sua capacidade total) em operação.  Outras três usinas (Kamaishi 42.9MW, Takinekoshirai 46MW, Satomi 10.02MW) estão paradas devido a uma falha no seu grid causadas pelo maremoto e pelo tsunami.  A usina de Satomi deve retomar as operações em poucos dias.  Kamaishi foi a usina mais afetada pelo tsunami, mas suas turbinas escaparam por estarem localizadas em montanhas 900 metros acima do nível do mar.

Com 22% das turbinas do Japão, a Eurus é a maior operadora de energia eólica do Japão. A ironia de toda essa história: a empresa é uma subsidiária da Tokyo Electric Company (TEPCO), dona da usina em Fukushima. A TEPCO tem motivos para estar feliz em ter diversificado o portfólio de energia.

Na Bolsa de Tóquio, as ações da TEPCO tiveram forte queda, mas o preço das ações da Japan Wind Development subiram de 31.500 ienes em 11 de março para 47.800 ienes em 16 de março. A energia eólica é duplamente verde, pelo visto.


Usina eólica em Kagoshima. Foto de rjzii

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Tratado de recursos genéticos precisa proteger agricultores

No mundo inteiro, a visão é a mesma: crise alimentar, aumento de plantações para biocombustíveis e alta de preço das commodities. É oportuno discutir como lidar com recursos genéticos e como garantir a viabilidade dos pequenos agricultores. O Instituto Internacional para o Ambiente e Desenvolvimento irá colocar o assunto em pauta na reunião da FAO (órgão da ONU para Agricultura e Alimentos),  marcada para acontecer esta semana (14-18 de março) em Bali.

O Tratado sobre recursos genéticos das plantas e da agricultura foi criado pela FAO em 2003 para:

  • Proteger os direitos dos conhecimentos tradicionais para garantir que os lucros do uso comercial desses conhecimentos seja garantido
  • Garantir que os agricultores tenham um ganho justo e equânime sobre o uso dessas plantas tradicionais
  • Garantir que os agricultores sejam ouvidos nos processos decisórios sobre os recursos genéticos

Na Conferência, será divulgado o primeiro relatório sobre um fundo multilateral com os recursos obtidos com o patenteamento de recursos genéticos de plantas  e da agricultura. No entanto, segundo o IIED, poucos países-membros da FAO adotam o tratado em âmbito nacional.

Por outro lado, acordos internacionais para proteger os direitos das empresas transnacionais do agronegócio já funcionam a pleno. Os pequenos agricultores não recebem incentivo para conservar a biodiversidade local. Eis uma grave distorção, pois as empresas lucram com os conhecimentos gerados pelos agricultores e não dividem os ganhos. Outro problema é o declínio da biodiversidade global, um fator perigoso num cenário de mudanças climáticas e risco alimentar.

O Tratado da FAO reconhece o papel das populações tradicionais e indígenas na conservação dos recursos genéticos . O trabalho desses agricultores está ameaçado não apenas pela falta de recursos, mas também pelas políticas promotoras do agronegócio e das monoculturas.

Há mais dois outros estudos sobre o mesmo tema:

Problemas no Acesso e divisão de recursos no Fundo Multilateral do Acordo Internacional sobre Recursos Genéticos das Plantas (março de 2011). Disponível em www.evb.ch/en/p25019093.html

Como a distribuição de sementes de sorgo sabota o Sistema Multilateral do Acordo da FAO sobre recursos genéticos das plantas. Disponível em www.evb.ch/en/p25019094.html

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Eficiência cortaria uso de energia em 73%

Medidas simples como o isolamento térmico de edifícios, uso de tampas nas panelas ao cozinhar e limitar o peso dos carros poderiam cortar 73% do atual consumo de energia. A estimativa foi obtida em estudo realizado na Universidade de Cambridge (Inglaterra).

A equipe do professor Julian Allwood resolveu estudar a eficiência energética de prédios e carros, na tentativa de encontrar as “melhores práticas” no uso cotidiano da energia. “Se reduzirmos nosso consumo, todas as fontes de geração energética poderão ser utilizadas de uma maneira realista”, diz Allwood.

O aspecto inovador está na abordagem proposta pelos pesquisadores ingleses: diminuir a nossa demanda em vez de investir na oferta de energia limpa, mantendo os níveis de consumo atuais. É mais fácil melhorar as instalações atuais do que criar fontes de energia mais limpas.

Nick Eyre, líder do programa Futuro de Baixo Carbono da Universidade de Oxford, apóia a iniciativa da universidade rival e diz que “as estimativas feitas pelo grupo de Cambridge são modestas”. Para Eyre, é possível construir prédios ainda mais eficientes dos que os utilizados na simulação feita por Allwood”.

Para o cientista de Oxford, “está na hora de pensarmos na maneira como gastamos energia em vez de pensarmos somente na geração e distribuição dos recursos”, afirma Eyre.

PS – Só haverá enfrentamento sério das mudanças climáticas e do aquecimento global quando mudarmos os padrões de consumo. Não adianta investir em energia limpa se a demanda continuar estrangulada.

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Painéis solares com 98% de plástico absorvem até 96% de luz

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia criaram um novo tipo de painel solar com três características desejáveis: boa absorção de luz, feitos 98% de plástico e são flexíveis, conforme este post do blog americano Tree Hugger.

Em escala microscópica, a superfície dos painéis se assemelha aos painéis com nanofios “esfiapados”, mas sem utilizar materiais raros. O painel desenvolvido pelo Caltech é feito de plástico  e 2% de silício, barateando os custos do produto.

O novo painel solar absorve até 96% da luz incidida sobre ele. Para conseguir esse nível de eficiência,  são usados fios de 30 a 100 microns de comprimento e apenas um micron de diâmetro. Cada um desses fios é uma “célula” em si e a luz não absorvida é refletida e absorvida por outros fios (ver imagem abaixo).

A flexibilidade é outro fator importante, pois permite a produção em processo roll-to-roll (bobinas automáticas), reduzindo os custos de produção. O Caltech pensa em testar a invenção em escala industrial num futuro próximo.

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